Vale pode criar nova empresa com ativos de metais básicos

November 26, 2014

Analistas de mercado têm levantado a possibilidade de a Vale reunir os ativos de metais básicos, como cobre, níquel e ouro, em uma nova empresa. Se confirmada, a cisão da Vale, motivada pela queda nos preços do minério de ferro, acompanharia a medida da australiana BHP Billiton, que anunciou em agosto a separação de seus ativos.

 

 

A avaliação dos analistas é que uma possível cisão do segmento de metais básicos da Vale ajudaria a melhorar o preço dos ativos e também permitiria à mineradora levantar caixa para fazer frente ao seu programa de investimentos. A nova empresa poderia fazer uma oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês).

A visão do mercado e da própria Vale é que o negócio de metais básicos tem condições de gerar Ebitda de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões por ano. No terceiro trimestre deste ano, a mineradora apresentou um Ebitda ajustado de US$ 3 bilhões, dos quais US$ 781 milhões, ou 26% do total, corresponderam ao segmento de metais básicos.

Considerando essa realidade e a previsão de um Ebitda entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões por ano para os metais básicos da Vale, significa que o negócio poderia valer, separadamente, algo entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões, de acordo com as contas do mercado. O número é aproximado e não considera o crescimento da dívida da companhia.

Outra grande mineradora mundial, a BHP Billiton, anunciou este ano a decisão de separar ativos. A BHP manterá minério de ferro, carvão, petróleo, cobre e potássio. Outras commodities, incluindo alumínio, manganês, prata e níquel, deverão integrar uma nova companhia, estimada em US$ 16 bilhões. A nova empresa da BHP será a maior produtora mundial de manganês.

O diretor financeiro da Vale, Luciano Siani, disse que há uma diferença importante entre a Vale e o que foi feito no exterior, pela BHP. Segundo ele, os ativos que a BHP deve separar estiveram à venda no mercado por muito tempo.

"Nossa situação é diferente. Temos a posição mais competitiva do mundo em níquel, em termos de qualidade e reservas, e os ativos de cobre são excelentes. E esses ativos são parte de nosso 'core business'. Então uma separação de ativos, exatamente como foi feita [pela BHP], não vai acontecer. Esses ativos são parte integrante do negócio da Vale", disse Siani.

O executivo afirmou que a empresa tem sempre o dever de avaliar as melhores alternativas para captura e realização de valor de qualquer ativo na companhia. “Vamos começar [a avaliar] todas as alternativas estratégicas no Vale Day." O Vale Day, dia de encontro da mineradora com investidores em Nova York, será na próxima terça-feira (2).

"A decisão da Vale sobre a gestão de ativos vai depender de quão conservador for o cenário para o minério de ferro", disse Marcelo Aguiar, vice-presidente de Análise de Ações para Recursos Naturais na América Latina do Goldman Sachs. Segundo ele, antes de tomar uma decisão sobre os metais básicos, a mineradora tem a possibilidade de vender ativos, como as participações societárias no negócio de carvão, em Moçambique, e em navios mineraleiros.

"Uma eventual separação dos ativos de metais básicos pode vir a acontecer se o cenário de minério de ferro se tornar ainda mais conservador", afirmou Aguiar, que aponta níquel e cobre como os ativos mais atraentes para os investidores.

O Goldman Sachs trabalha com a perspectiva de que o preço do níquel atinja US$ 20 mil por tonelada em 2016. Hoje o preço está em torno de US$ 16,5 mil por tonelada. Quanto ao cobre, o Goldman Sachs prevê que a cotação fique em US$ 7,5 mil por tonelada em 2017 ante os atuais US$ 6,8 mil na Bolsa de Metais de Londres (LME).

"Temos aumento de volume de produção e a expectativa de nos tornarmos ainda este ano o maior produtor de níquel do mundo. E temos a produção de cobre e ouro crescendo de forma acelerada." Segundo ele, o mercado tem dado sinais de que haverá um déficit no mercado de níquel, o que elevará ainda mais os preços.

"Achava-se que seria no primeiro semestre de 2015 e agora já se fala no segundo semestre do ano que vem, mas depende do sucesso que os chineses vão ter em misturar o minério das Filipinas com o minério da Indonésia. Os estoques deles [da China] estão acabando. Então a expectativa é grande. Com a recuperação dos preços do níquel e aumento de volume [de produção], vamos ter em 2015 os metais básicos representando parcela expressiva do resultado da companhia", disse o diretor financeiro da Vale.

 

Fonte: Valor Econômico

 

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