Vale prevê minério de ferro entre US$ 85 a US$ 90/t em 2015

November 27, 2014

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que os preços do minério de ferro devem se estabelecer entre US$ 85 a US$ 90 a tonelada no próximo ano. Segundo o executivo, pelos modelos de oferta e demanda, o preço atual está “fora do ponto e excessivamente desvalorizado”.

 

 

De acordo com Ferreira, as minas da Vale são competitivas mesmo com preços a US$ 65 por tonelada em 2015, previstos por analistas do Citibank. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias da Agência Estado, o executivo afirmou que o minério de ferro está longe do preço de equilíbrio, que seria de US$ 83 a US$ 85 por tonelada.

Ferreira afirmou que, caso a cotação da commodity chegue a esses US$ 65 a tonelada, haverá um ajuste violento, com redução substancial da oferta. Ele disse acreditar na saída de produtores de alto custo do mercado, mas discorda que a resistência de produtores chineses menos competitivos esteja surpreendendo.

“Os preços estão abaixo de US$ 90 por tonelada há dois, três meses. Ninguém toma a decisão de fechar uma mina, que envolve custos da noite para o dia”, disse o presidente da Vale.

Ferreira falou também sobre as afirmações de alguns analistas de que a Vale, a exemplo de BHP e Rio Tinto, seja agressiva na expansão em um ciclo de baixa de preços. A estimativa é que a produção de minério da Vale saia de 321 milhões de toneladas em 2014 para 453 milhões em 2018. “Não temos tido política agressiva de colocação no mercado. Temos praticamente a mesma produção desde 2006”, afirmou o executivo.

De acordo com Ferreira, seguir o “mantra” da disciplina de capital é mais importante do que nunca para a empresa. “Nós temos que ser absolutamente obstinados em fazer mais por menos”, disse, confirmando que a Vale anunciará um orçamento inferior aos US$ 12,5 bilhões inicialmente previstos para 2015, no Vale Day em Nova York, na próxima terça-feira (2).

Analistas temem que em 2015 a Vale não tenha uma geração de caixa livre capaz de remunerar os acionistas de forma satisfatória. “Realmente 2015 e 2016 serão anos atípicos por conta do volume que teremos que investir, mas você pode ter certeza que nós privilegiaremos uma prudência no endividamento da empresa acompanhada de um pagamento de dividendos saudável”, disse Ferreira.

Os investimentos a que se refere são na maior parte relativos à conclusão do projeto Serra Sul, no Pará, que tem início de operação previsto para 2016. Com produção estimada em 90 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, ele é o maior investimento da história da Vale, cerca de US$ 19,5 bilhões.

O presidente da Vale anunciará aos investidores em Nova York um custo de produção inferior aos US$ 15 por tonelada divulgados para Serra Sul. O custo operacional médio do minério da Vale é hoje de US$ 23 por tonelada, com expectativa de redução a US$ 20 nos próximos três anos, conforme apresentação feita por executivos em uma conferência do Goldman Sachs, na semana passada.

À frente da Vale desde 2011, Murilo Ferreira disse viver o momento mais difícil de sua gestão. Desde que assumiu a maior mineradora global, o executivo já enfrentou disputas tributárias e problemas em megaprojetos internacionais como Rio Colorado, na Argentina, e Simandou, na Guiné, em que a Vale teve que realizar baixas contábeis. Ainda assim, considera 2014 um ano crítico.

A avaliação é motivada pelo cenário econômico e pelos preços do minério de ferro, que caíram abaixo de US$ 70 por tonelada, o menor valor registrado nos últimos cinco anos.

 

Fonte: Agência Estado e da Bloomberg.

 

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