Vale pode reduzir investimentos para 2015 em US$ 3,3 Bi

December 1, 2014

Um programa de investimentos de US$ 10,5 bilhões para 2015 deve ser anunciado pela Vale amanhã, durante o Vale Day em Nova York, segundo a média de estimativas de 11 instituições financeiras. O valor, que não considera os custos com pesquisa e desenvolvimento, é US$ 3,3 bilhões inferior ao montante anunciado para 2014.

 

 

 

Se confirmado, esse será o quarto ano consecutivo de redução do orçamento de investimentos da mineradora, após os US$ 18 bilhões anunciados para 2011.

O montante de US$ 10,5 bilhões representa a média das estimativas de 11 instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, serviço de notícias da Agência Estado. São elas BB-BI, BTG Pactual, Citi, Credit Suisse, Goldman Sachs, Itaú BBA, J.P.Morgan, Safra, Santander e duas outras instituições que pediram para não serem identificadas.

A queda de quase 50% no preço do minério de ferro neste ano tem aumentado a pressão para maior rigidez no controle de custos e também a dúvida de como a mineradora irá equacionar uma forma de manter dividendos atrativos para os acionistas.

Embora a companhia afirme que os investimentos deverão acelerar na parte final do ano, a percepção do mercado é que a execução do orçamento não alcance o valor anunciado no fim do ano passado para este ano, de US$ 13,8 bilhões. 

Nos primeiros nove meses deste ano, os investimentos da Vale somaram US$ 8,2 bilhões, queda de 20,8% em relação a mesmo período do ano passado. A previsão média dos analistas é que os investimentos em 2014 fiquem em US$ 12 bilhões, US$ 1,8 bilhão a menos do que o previsto inicialmente.

O capex da Vale para 2015 tem sido um dos termômetros utilizados pelo mercado para estimar os dividendos mínimos da companhia, uma vez que a preocupação é se a mineradora terá fluxo livre de caixa para manter um rendimento (yield) ainda atrativo no atual cenário do mercado.

Considerando a média de seis das 11 instituições financeiras consultadas, os dividendos a serem pagos pela mineradora no próximo ano serão de US$ 2,66 bilhões, ante US$ 4,2 bilhões em 2014. 

De acordo com os analistas, grande parte dos investimentos terá como destino a conclusão de seu maior projeto, o S11D, que consome o maior aporte da história da companhia, de US$ 19,5 bilhões, o que também impede que o capex seja radicalmente reduzido.

A estimativa até o momento é que, com o S11D, a produção de minério da Vale saia de 321 milhões de toneladas em 2014 para 453 milhões em 2018.

Os analistas do BTG Pactual, Leonardo Correa e Caio Ribeiro, apontam, em relatório a clientes, que a redução do capex contará com a ajuda do real depreciado. Isso porque, segundo eles, a maior parte das receitas da companhia é em dólar, ao passo em que a maior parte dos investimentos são realizados no Brasil.

Em relação aos dividendos, os analistas do BTG afirmam que caso o preço do minério de ferro siga entre US$ 70 e US$ 80 a tonelada em 2015 e 2016, o que reduzirá o fluxo de caixa, haverá uma limitação para o pagamento de dividendos para aproximadamente US$ 2 bilhões.

Já os analistas do Credit Suisse, Ivano Westin, Renan Criscio e Santiago Perez Teuffer, afirmam que, a expectativa para a reunião de amanhã em Nova York é que a empresa mostre as oportunidades de desinvestimentos, iniciativas de redução de custos, aumento de produção de minério de ferro e dos metais básicos, além da redução dos investimentos.

Segundo eles, as iniciativas são uma forma de ajudar na geração de caixa livre, o que poderia abrir espaço para a manutenção de dividendos ainda atrativos. Apesar disso, os analistas apontam que a redução dos dividendos em 2015 é inevitável.

 

Fonte: Agência Estado

 

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