Minério de Ferro no fundo do poço?

December 2, 2014

O cenário do mercado de minério de ferro está ainda pior em relação ao início do ano, quando os preços da commodity começaram a cair, afetados pelo excesso de oferta e pela redução da demanda. Os preços acumulam quedas de 48% neste ano e, segundo analistas, devem gerar ainda mais dificuldades para as companhias do setor em 2015.

 

 

Enquanto o ambiente melhora para alguns dos principais metais não-ferrosos, como níquel e alumínio, apenas em novembro o preço do minério de ferro no mercado à vista da China caiu 11% e atingiu o menor patamar desde 2009, chegando a US$ 69,70 por tonelada na semana passada.

Empresas e analistas comentam que a queda verificada nos últimos meses foi ainda mais forte do que as previsões já negativas para a commodity. “As mudanças nas dinâmicas do mercado com o excesso de oferta vieram antes do que esperávamos”, afirmaram os analistas Christian Lelong e Amber Cai, do Goldman Sachs, em relatório publicado na última quinta-feira (27).

O forte aumento da produção global já vinha derrubando seu preço desde o início do ano. De US$ 134 por tonelada, a commodity caiu abaixo de US$ 100 por tonelada em maio, considerando o minério com teor de 62% de ferro. Mas a avaliação do Goldman é que a redução para US$ 70 foi “muito acelerada”.

A queda expressiva da cotação nas últimas semanas indica que muitas operações de mineradoras de alto custo foram mantidas mesmo sem lucros e a dúvida sobre o comportamento dessas mineradoras preocupa as demais companhias do setor também no ano que vem.

O CitiGroup afirmou em relatório recente que a cotação média deve chegar a US$ 60 por tonelada até o terceiro trimestre de 2015. Depois disso, a queda seria para até US$ 50 por tonelada. "A grande questão é o quanto a China vai subsidiar minas locais nesse ambiente de queda dos preços", afirmou Bruno Rezende, da Tendências Consultoria.

A expectativa de aumentos de produção no Brasil e na Austrália é de 300 milhões de toneladas de 2014 a 2016. Mas, segundo Rezende, se mineradoras chinesas com altos custos continuarem a contribuir com o crescimento da oferta global, o preço tende a cair para perto do custo das empresas mais eficientes, a cerca de US$ 55 por tonelada, levando o preço médio a US$ 66 no ano que vem. Caso sejam feitos cortes de produção, ele estima um preço médio de US$ 79 em 2015.

Na última semana, diretores da Vale e da Anglo American afirmaram que estão buscando redução de custos e mais eficiência. Mas disseram que, apesar da forte queda recente do preço do minério, seus principais projetos no Brasil, S11D e Minas-Rio, respectivamente, são competitivos.

Marcio Godoy, diretor de exploração da Vale, afirmou que enxerga o futuro com "entusiasmo" e que a companhia tem competitividade diante das grandes concorrentes australianas, como Rio Tinto e BHP Billiton.

"Não vemos um cenário nas nossas projeções em que não seremos competitivos", afirmou o executivo, durante fórum realizado em São Paulo na semana passada. Segundo ele, fazem parte dos trabalhos da Vale o investimento em novas técnicas e o terminal na Malásia, que abriu a possibilidade de comercialização no sudeste da Ásia.

O diretor de Operações da unidade de negócios de Minério de Ferro da Anglo American, Rodrigo Vilela, afirmou que a “companhia manterá o foco em redução de custos e que a boa qualidade do minério do projeto ajudará no período de vacas magras".

 

Fonte:  Valor Econômico

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