Minério de Ferro derruba balança comercial

December 3, 2014

A queda do preço do minério de ferro deve dificultar a retomada da balança comercial do Brasil. O produto é o principal item da pauta de exportação do País. Entre janeiro e novembro, respondeu por 11,5% do total vendido pela economia brasileira. Este ano o preço do minério brasileiro exportado para a China perdeu 48% do seu valor.

 

 

Em valores, nesse período, os recursos obtidos com a venda do minério somaram US$ 23,8 bilhões. No auge, em 2011, as exportações com o produto chegou a US$ 41,8 bilhões, segundo dados compilados pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

 

Cerca de US$ 6 bilhões deixarão de entrar na balança comercial brasileira neste ano por causa da queda nos preços do minério de ferro. O cálculo é da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que considerou o preço médio de US$ 80 por tonelada exportada na estimativa. Segundo a associação trata-se de uma estimativa conservadora.


Há duas razões para a atual queda na cotação do minério de ferro. Primeiro, há um efeito de ociosidade por causa da maturação de vários investimentos feitos no passado em países produtores, como Brasil e Austrália, e que agora provocam um aumento da oferta do produto. Segundo, a desaceleração da China e consequentemente a menor demanda pelo produto também pressiona para baixo o preço do produto.

"O aumento da oferta é o principal fator para a queda dos preços", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). O excedente de oferta é estimado entre 5% e 10%.

O preço médio de exportação do minério de ferro deve encerrar 2014 em US$ 75, de acordo com com dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC). Hoje, o
 preço do minério acumula desvalorização de 48% desde janeiro. A tonelada do minério brasileiro com 65% Fe exportado CIF para o porto de Qingdao, na China, foi cotada a US$ 78, segundo dados do Metal Bulletin.

 

Na média, o valor do minério exportado pelo Brasil ficará entre US$ 65 e US$ 70 por tonelada no próximo ano, segundo estimativa da AEB.

No ano passado, o valor da tonelada exportada foi de US$ 98, em média. “O Brasil também está exportando menos minério de ferro porque a China começou a usar o seu próprio minério. Com essa decisão, a China consegue controlar o preço do minério”, afirma Daiane Santos, economista da Funcex. 

A desvalorização do preço do minério de ferro e de outras commodities (como petróleo e soja) devem levar o Brasil ao primeiro déficit na balança comercial em 14 anos. No acumulado de janeiro a novembro, as importações superaram as exportações em US$ 4,22 bilhões, o pior resultado para o período desde 1998.

Na segunda-feira (1), ao divulgar os dados de novembro, o próprio MDIC passou a projetar um déficit para 2014. “Este ano, o déficit comercial é muito ruim porque ele agrava o quadro já difícil cenário da conta corrente”, diz o presidente da AEB.

O déficit em conta-corrente, que inclui balança comercial, serviços, juros, dividendos e remessas, alcançou 3,73% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado em 12 meses até outubro. O resultado indica uma elevada necessidade de financiamento externo da economia brasileira.

A expectativa, para 2015, é de que a capacidade de produção de minério aumente mais, o que deve dificultar a subida do preço do minério de ferro e, portanto, uma melhora da balança comercial do Brasil.

O cenário negativo para a balança é reforçado porque os países compradores de produtos manufaturados das empresas brasileiras, sobretudo a Argentina, estão com uma situação econômica bastante complicada e a
lém do minério, contribuirão para a queda no total das exportações a soja e o petróleo, que também enfrentam cenário de queda de preços. Em contrapartida, o país deve gastar menos com a importação de gasolina e diesel.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo.

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