BHP também defende mantra do 'menos é mais'

December 4, 2014

A BHP Billiton PLC é a maior mineradora do mundo em valor de mercado, com operações em 25 países. E qual foi uma das primeiras recomendações do diretor-presidente ao conselho, logo ao entrar na empresa, seis anos atrás? Desmembrá-la.

 

 

Agora, Andrew Mackenzie, ex-acadêmico da área de geologia e executivo do setor de energia, está prestes a conseguir o que queria. Nos últimos meses, a mineradora anglo-australiana revelou planos para desmembrar ativos dos quais quer se desfazer em setores como alumínio e manganês, inclusive os ativos de alumínio da BHP no Brasil, e vendê-los. Os ativos podem valer US$ 18 bilhões como negócio autônomo, segundo analistas.

 

Mackenzie disse em entrevista ao The Wall Street Journal, da sede da BHP próxima à Victoria Station, em Londres, que a cisão, que deve ser concluída no próximo ano, mostra que o objetivo da BHP não é ficar cada vez maior. Quando uma empresa decide se concentrar em ativos de grande porte, "há muita simplificação", disse o executivo, que tem 57 anos.

 

A BHP reduzida vai se concentrar em quatro áreas principais: minério de ferro, petróleo e gás, cobre e carvão. Ela também poderá incluir o potássio, mineral utilizado principalmente como fertilizante. Mackenzie planeja concentrar as atividades futuras da companhia em apenas 12 grandes ativos no mundo todo, menos que os 30 existentes antes da divisão.

 

A cisão é uma iniciativa que cada vez mais companhias, em especial as de recursos naturais, estão adotando para aprimorar seus negócios e tornar os lucros mais previsíveis. Há três anos, a grande petrolífera americana ConocoPhillips se dividiu em duas empresas, uma de exploração e produção de petróleo e a outra de refino e venda de combustíveis.

 

"A complexidade aumenta com muitos produtos, muitas coisas e culturas variadas na organização", disse Mackenzie. Em contraste, seu antecessor, Marius Kloppers, tentou fazer duas enormes aquisições durante seu mandato de seis anos, a da mineradora Rio Tinto PLC e a da canadense Potash Corp. of Saskatchewan Inc.

 

Uma BHP mais enxuta não é uma ideia que agrada a todos. Sua ação caiu 4,9% em Londres em 19 de agosto, o dia em que a cisão foi anunciada. Ela terminou o pregão de ontem sem alteração, a 1.610,50 libras esterlinas.

"Os principais beneficiários da cisão proposta devem ser a multidão de consultores que, sem dúvida, exigirão uma compensação significativa para ajudar a estruturar os acordos", diz Paul Gait, analista de mineração da empresa de pesquisas Sanford C. Bernstein.

 

A linha de ação de Mackenzie também contrasta com a da mineradora concorrente Glencore PLC, que se aproximou recentemente de outra gigante, a Rio Tinto PLC, propondo uma fusão de US$ 160 bilhões. A Rio Tinto rejeitou a oferta.

 

Para a BHP, esses negócios gigantescos estão "efetivamente fora do plano", disse Mackenzie.

"Até certo ponto, a ideia [de uma fusão] Glencore-Rio Tinto é um contraponto para nós", disse Mackenzie. "Veremos quem tem razão, creio."

 

À medida que a BHP vai eliminando divisões, a empresa também está se voltando mais para o petróleo e o gás. Mackenzie, ex-executivo da petrolífera BP e cuja tese de doutorado ainda é usada por geólogos na prospecção de petróleo, disse que a BHP tem a capacidade necessária para concorrer com as principais petrolíferas.

 

A BHP já é um dos maiores investidores de ativos de xisto dos Estados Unidos, opera plataformas de petróleo em águas profundas do Golfo do México e possui grandes blocos de exploração perto de Trinidad e Tobago, nas Antilhas.

 

"No xisto, no petróleo e gás no oceano, nessas áreas somos tão grandes como as maiores e temos uma capacidade técnica igual à delas e, em alguns casos, melhor", disse ele.

 

Segundo o executivo, a empresa poderia usar a experiência adquirida na mineração em suas perfurações para prospectar hidrocarbonetos.

"Há mais sinergias entre cobre, potássio, carvão, minério de ferro e a exploração de petróleo e gás que escolhemos do que as que existem entre o petróleo e gás oceânico e o refino ou a petroquímica ou postos de gasolina que vendem barras de chocolate", disse Mackenzie.

 

A BHP tem enfrentado problemas com ativos de xisto. Esta semana, a empresa decidiu vender uma área na região de xisto de Fayetteville, no Estado americano de Arkansas, dois anos depois que a queda no preço do gás natural a obrigou a realizar a baixa contábil de US$ 2,84 bilhões dos quase US$ 5 bilhões pagos pela área à Chesapeake Energy, em 2011.

 

Mackenzie tem atraído críticas por não gerar mais lucro para os investidores por meio de recompra de ações. Alguns investidores esperavam que a cisão fosse acompanhada por um grande retorno em caixa.

Mas ele insiste na necessidade de um balanço forte, agora que os preços das commodities estão tão voláteis.

"Somente quando tivermos excesso de caixa é que vamos entrar no debate de que você está falando, e devemos sinalizar isso mais fortemente", disse Mao líder da BHP.

 

Com os preços dos minerais completamente sob pressão, a BHP já reduziu seus investimentos em um terço no ano fiscal encerrado no fim de junho, para pouco mais de US$ 15 bilhões, nível que planeja baixar ainda mais este ano.

 

Por enquanto, a companhia vai centralizar seus investimentos em cobre e em petróleo e gás. A empresa ainda tem importantes ativos que pode desenvolver mais, como seu projeto de cobre e urânio Olympic Dam, na Austrália, ou seu projeto de potássio Jansen, no Canadá.

 

Mas, segundo Mackenzie, não é provável que sejam feitos anúncios de "megainvestimentos", já que a empresa prefere continuar fazendo aplicações de recursos pequenas e graduais nos seus projetos existentes.

 

 

Fonte: The Wall Street Journal

 

Please reload

Featured Posts

Gerências da ANM se Manifestam

October 16, 2019

1/10
Please reload

Recent Posts
Please reload

Search By Tags