Mineradoras "fecham os olhos" ante iminência do fim do boom de commodities na China

December 4, 2014

Líderes das três maiores companhias mineradoras do mundo apoiaram o gigante asiático a continuar comprando quantidades cada vez maiores da commoditie.

 

 

Após gastarem US$ 1 trilhão desde 2002 em projetos para alimentar o boom de commodities da China, companhias mineradoras do mundo inteiro têm muito em jogo pelo seu maior cliente. Pode ser que as commodities estejam operando a seu mínimo em cinco anos, porém os líderes das três maiores companhias mineradoras, a BHP Billiton, a Vale e a Rio Tinto, apoiaram na semana passada a China, a segunda maior economia do mundo, para que o país continue comprando quantidades cada vez

maiores dos seus produtos até a próxima década. Nem todos concordam.

 

“O pessoal das commodities é otimista demais”, disse Tao Dong, economista­chefe regional para a Ásia exceto o Japão do Credit Suisse Group AG em Hong Kong, em uma entrevista, sem se referir a uma empresa em particular.

 

À medida que a China passa de uma economia liderada pelos investimentos para outra impulsionada pelos consumidores, poderia ocorrer uma queda absoluta e substancial da demanda por commodities, não apenas uma desaceleração do crescimento, disse ele.

 

“Isso está acontecendo agora”, disse Tao. “As pessoas estão fechando os olhos e se negando a acreditar que o que está acontecendo agora não é somente uma questão cíclica, mas estrutural”. O Goldman Sachs Group se uniu neste ano a outros bancos ao prever o fim do superciclo das commodities pela desaceleração da China. A maior consumidora de metais industriais e de minério de ferro e a maior usuária de petróleo depois dos EUA está caminhando para sua menor expansão em um ano completo desde 1990.

 

A desaceleração econômica da China se aprofundou em outubro, quando o crescimento da produção

industrial e os investimentos em ativos fixos ficaram abaixo das estimativas. O Australia New Zealand Banking Group mencionou no mês passado o crescimento menor do que o esperado na China para reduzir as projeções de preços de commodities como o petróleo, o minério de ferro e o níquel para o ano que vem.

 

A demanda “supernormal” da China por commodities desde 2002 voltará à normalidade à medida que a

economia amadurecer, segundo um relatório do Goldman Sachs publicado em outubro. O banco espera que a China tome somente sua proporção do PIB global – cerca de 13% em 2013 – em demanda no setor de mineração, em comparação com até 60% no auge do boom. A trajetória da demanda chinesa para os próximos dez a quinze anos continuará marcando o ritmo, disse ele.

 

A BHP, a maior companhia mineradora do mundo, tem convicção de que a China continuará sustentando a demanda. Segundo a BHP, o país vai manter o crescente apetite por minério de ferro pelo menos até o começo ou meados da década de 2020, continuará sendo o principal impulsionador da demanda por cobre e, junto com a Índia, responderá por um crescimento no consumo de energia até 2030 equivalente à demanda atual dos EUA.

 

A Rio Tinto, a segunda maior companhia mineradora do mundo, também manterá firme sua estratégia de

aumentar a produção de minério de ferro, disse o CEO Sam Walsh na semana passada em uma entrevista. “É importante que respeitemos o nosso plano de ação”, disse Walsh.

 

A continuidade da demanda chinesa por minério de ferro faz com que a Vale, a maior fornecedora, também não reduza as expansões, disse o CEO Murilo Ferreira no dia 26 de novembro, em uma entrevista. Ele insiste que os preços subirão dos níveis mínimos atuais quando as minas de maior custo forem fechadas.

 

Há sinais de que a perspectiva imediata para a economia da China esteja se turvando. Projeta­se que o país cresça 7,4% em 2014 e apenas 7% em 2015, segundo uma pesquisa feita pela Bloomberg com economistas. No mês passado, o Banco Central anunciou as primeiras reduções das taxas de juros de referência desde 2012 para compensar o menor crescimento econômico em 24 anos.

 

“O fator chinês no superciclo de commodities acabou”, disse Tao, do Credit Suisse. “Se a habitação e a infraestrutura deixarem de ser os principais impulsionadores da economia chinesa, acho que a demanda do país por commodities vai diminuir”.

 

Fonte: InfoMoney / Bloomberg

 

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