Yamana enxuga presença no país

December 11, 2014

Ao completar 11 anos no Brasil, durante os quais levantou seis projetos de ouro e cobre, a mineradora canadense Yamana Gold faz agora um profundo enxugamento de suas operações no país. A empresa está separando suas operações brasileiras em dois grupos em uma estratégia para colocar os ativos menos rentáveis à venda. Os dois maiores e com menores custos de produção - Chapada (GO) e Jacobina (BA) - serão mantidos.

 

 

A manutenção dessas duas operações, porém, não justifica mais toda atenção ao país, o que tem ficado claro nos últimos meses, segundo fontes próximas à companhia. O Brasil deixou de ser o país mais importante para a empresa na América Latina, perdendo lugar para o Chile, que passará a centralizar as principais decisões relativas à região. Nos últimos meses, a empresa já vem reduzindo seu quadro de funcionários nas operações brasileiras.

 

 

O principal executivo da companhia no Brasil, Ludovico Costa, vai se aposentar no meio do ano que vem. Segundo principal executivo da companhia no mundo, abaixo apenas do presidente executivo, Peter Marrone, Costa estava na empresa desde 2006. O comunicado de sua saída foi feito em outubro, três meses depois de o vice-presidente no Brasil, Arão Portugal, ter deixado a companhia.

 

Até o meio do próximo ano, Costa deverá dedicar a maior parte de seu tempo às melhorias operacionais no projeto Chapada, em Alto Horizonte (GO). Com o menor custo de produção da empresa no mundo, a operação é uma das maiores da Yamana em volume de extração.

 

Como desdobramento de sua estratégia de revisão de ativos e de redução da presença no Brasil, a Yamana separou suas operações em dois grupos: um de ativos principais e um de secundários. No segundo, estão as operações brasileiras de Fazenda Brasileiro, Pilar e C1 Santa Luz, que passam a compor uma nova empresa, chamada Brio Gold, juntamente com algumas concessões de exploração mineral.

 

A Brio terá capacidade de produção de mais de 130 mil onças de ouro por ano, com potencial para ampliação no futuro, diz a Yamana. A principio, será uma subsidiária, comandada pelo executivo Gil Clausen. Mas a percepção do mercado é a de que o movimento é apenas uma preparação para a venda dos ativos. No terceiro trimestre deste ano, a empresa deu um passo neste sentido ao fazer uma baixa contábil de US$ 668,3 milhões no Brasil, relacionada com os projetos Pilar, C1 Santa Cruz e Ernesto Pau-a-Pique. Com o projeto C1 Santa Luz, que foi colocado em uma situação de "manutenção e cuidados", teve também gastos de US$ 17,9 milhões.

 

O rombo contribuiu para que a companhia tivesse prejuízo de US$ 1,023 bilhão no período e de US$ 1,048 no acumulado dos nove primeiros meses deste ano. "Em 2011, a companhia começou a construir seu portfólio de projetos incluindo Mercedes, Ernesto/Pau-a-Pique, C1 Santa Luz e Pilar em um ambiente em que os preços do metal estavam 20% superiores do que estão hoje", afirmou a empresa em seu balanço do terceiro trimestre.

 

A Yamana se instalou no Brasil em 2003, com a compra dos ativos Fazenda Nova, São Vicente, São Francisco e Chapada, que eram Mineração Santa Elina e da mina "Fazenda Brasileiro" da Vale. Atualmente, seus três maiores projetos no Brasil são os de Chapada, Jacobina e Fazenda Brasileiro, já em fases finais de exploração. Juntos, os três corresponderam por 21% da produção de ouro equivalente da empresa no ano passado, medida que considera também a prata convertida em ouro.

 

 

 

O movimento de separação de ativos tem sido frequente na mineração. No caso da Yamana, a ação é mais impactante para o Brasil por indicar uma mudança de estratégia para o país. O ânimo inicial da empresa com o país minguou nos últimos anos, acompanhando a forte queda do preço do ouro. De US$ 1,8 mil por onça em 2011, o metal precioso caiu para US$ 1,2 mil atualmente. Cada onça corresponde a 31,1 gramas.

 

O novo contexto do mercado reduziu expressivamente o retorno das operações da empresa e, em alguns casos, impediu que chegassem ao equilíbrio.

 

Fora do país, a Yamana tem duas operações no Chile; cinco na Argentina, duas delas em fase de desenvolvimento e uma em análise; uma no México e uma joint-venture no Canadá. O Brasil produz cerca de um quarto do ouro da empresa. No ano passado, foram 1,2 milhão de onças, sendo 310 mil extraídas do solo brasileiro. A empresa estimava chegar a 1,4 milhão de onças este ano (até setembro, somou 995 mil onças) e chegar a 1,8 milhão em 2018.

 

No ano passado, em que a queda do preço do ouro afetou fortemente as companhias do setor em todo o mundo, a Yamana teve prejuízo de US$ 474 milhões e receita de US$ 1,8 bilhão, 21% abaixo do valor de 2012. No terceiro trimestre deste ano, a receita somou US$ 501,2 milhões, 10% acima do valor do mesmo período de 2013.

 

Em nota ao mercado, o presidente executivo da Yamana, Peter Marrone, afirmou ontem que o foco da companhia permanecerá nos ativos principais. "Esses ativos são os nossos melhores contribuintes para o fluxo de caixa, para manter a maior da nossa produção e os melhores custos e têm potencial significativo", afirmou. A leitura do mercado é de que a Yamana está se preparando para uma recuperação de seu resultado global.

 

A companhia perdeu metade de seu valor na bolsa de valores de Toronto e Nova York neste ano e reduziu o pagamento de dividendos. A baixa contábil e a separação dos ativos mostram que a empresa não perdeu suas esperanças e que está adotando medidas para melhorar sua performance no longo prazo, afirmou ontem o analista Anup Singh, em nota publicada no "Seeking Alpha".

 

Ele acredita que a Yamana se prepara para uma estrutura de ativos mais forte para colher frutos no momento de recuperação de preço do ouro. A consultoria Nomura, em revisão de suas projeções para o ano que vem, calculou US$ 1,46 mil por onça, de US$ 1,2 mil por onça na estimativa anterior. O baixo de produção nas operações principais é outro ponto positivo. A empresa informou em outubro valor médio de US$ 671 por onça com seus ativos-chave.

 

Procurada, a companhia afirmou que não poderia se manifestar sobre seus ativos no Brasil.

 

 

Fonte: Valor

 

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