A bomba de Venina

Uma vez confirmadas as denúncias feitas pela funcionária da Petrobras e geóloga Venina Velosa da Fonseca, relatadas em matéria publicada no Valor de ontem (12/12) e assinada pelo jornalista Juliano Basile, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, e o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, estarão em maus lençóis. Pelo menos nos Estados Unidos.



Se a legislação americana anticorrupção no exterior (FCPA, na sigla em inglês) atenua a pena de empresas e executivos que estejam dispostos a colaborar quando surgem suspeitas de desvios, ela pode ser especialmente dura quando as autoridades verificam que os envolvidos não reagiram a sinais de alerta (‘red flags’) ou tentaram encobrir os malfeitos, segundo avaliação de diversos advogados especialistas na área.


Perante a FCPA, aqueles que, diante de sinais ou denúncias de corrupção, enfiam a cabeça na areia, numa tradução literal do inglês, ou fazem vista grossa, em bom português, podem ser equiparados aos executivos que de fato praticaram as ações ilícitas.


Se é verdade que Graça e Consenza receberam alertas de Venina e nada fizeram para investigar ou acabar com os desvios de dinheiro na Petrobras, isso abre espaço para que eles - e quem mais tenha tido acesso aos e-mails que ela diz ter enviado - também sejam processados pelo Departamento de Justiça americano.


Em tempo: o fato de Venina possivelmente não ser santa - ela foi afastada junto com outros funcionários acusados de irregularidades - não desqualifica, a priori, as informações que ela apresenta. Empresas especializadas em auditoria forense, e o próprio Departamento de Justiça dos EUA, com auxílio do FBI, terão todas as condições para checar se os e-mails que ela cita foram de fato enviados, de quais computadores e para quais destinatários.



Fonte: Valor

#petrobrás

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