Preços do petróleo, carvão e minério de ferro voltam aos níveis da crise de 2008/09

Os preços do minério de ferro, do petróleo e carvão voltaram aos níveis vistos pela última vez durante ou antes da crise financeira de 2008/2009, sinalizando não só o impacto de uma oferta abundante, mas também uma acentuada fraqueza em partes da economia global, disseram analistas.


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As matérias-primas estão entre as mais sensíveis à saúde econômica, uma vez que o petróleo e o carvão são as duas mais importantes fontes de energia no mundo, enquanto o minério de ferro é usado para a fabricação de aço.


O preço do petróleo Brent caiu quase pela metade desde junho, operando um pouco acima de 60 dólares o barril, nível visto pela última vez no início de 2009, durante a crise financeira.


No mercado de carvão, o contrato futuro de referência europeu caiu para menos de 70 dólares por tonelada, nível comparável antes do boom e do colapso de 2007-2009.


O minério de ferro cai pela metade a menos de 69 dólares por tonelada, com a redução do crescimento da demanda do maior mercado do mundo, a China.


Analistas inicialmente apontaram para o aumento da produção de petróleo e da mineração, bem como a eficiência energética e fontes alternativas, como as energias renováveis, como os principais fatores por trás da queda.


Mas sem um fim à vista para a queda dos preços, tornou-se evidente que um resfriamento significativo das economias emergentes, bem como problemas em mercados desenvolvidos, como Europa e Japão, também fazem parte do jogo, especialmente depois de o grupo produtor de petróleo Opep dizer que não iria cortar a produção para sustentar os preços.


"Uma demanda global mais suave e o crescimento sem precedentes da oferta estão pesando sobre os índices mundiais de petróleo, com os preços caindo para níveis não vistos desde a crise financeira global" disse o National Australia Bank nesta segunda-feira.


"Ventos contrários ao crescimento global devem vir da fraqueza do Japão, da zona do euro e da América Latina", acrescentou.


O Morgan Stanley também apontou a China como uma explicação para a queda dos preços: "Nossa equipe econômica reduziu as estimativas de crescimento chinês e global... isso também nos levou para reduzir nossa perspectiva de demanda", disse o banco.


Enquanto a queda nos mercados de petróleo é relativamente recente --com o aumento da produção do petróleo da América do Norte ajudando a oferta a superar a demanda em momento de crescimento opaco da economia global-- os preços do carvão e minério de ferro estão em tendência decrescente desde 2011.


Mas foi no início deste ano que os analistas apontaram pela primeira vez para a fraqueza nos mercados emergentes, bem como aumento da produção de minério.


O carvão está intimamente ligado à industrialização das economias emergentes, sendo o combustível mais barato para a eletricidade, e o crescimento dos mercados emergentes tem ficado mais lento desde 2013.


O minério de ferro é visto como um indicador chave da economia chinesa, que é de longe o maior produtor de aço do mundo.


Além dos fundamentos, analistas dizem que a perspectiva técnica para o petróleo e o carvão também é fraca, especialmente se as barreiras de 60 dólares o barril e de 70 dólares a tonelada forem rompidos.



Fonte: Reuters

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