Preço do minério de ferro segue pressionado

January 12, 2015

A expectativa da maior parte dos analistas é de que o preço da tonelada do insumo fique entre US$ 65 e US$ 70 ao longo dos próximos meses

 

 

O preço do minério de ferro deverá seguir pressionado ao longo de 2015, fazendo com que as mineradoras sigam em busca de maior eficiência e prossigam com seus investimentos em minas de menor custo de produção. A expectativa da maior parte dos analistas é de que o preço da tonelada do insumo fique entre US$ 65 e US$ 70 ao longo dos próximos meses.

 

O sócio e líder de Mineração da PwC Brasil, Ronaldo Vali¤o, destaca que o ano de 2015 não deverá ter uma grande mudança em relação ao ano passado e que as mineradoras mais capitalizadas seguirão em busca de projetos de mais baixo custo, de forma a se prepararem para operar em um ciclo de preços menores. "As mineradoras grandes, que têm musculatura, farão isso", diz o especialista.

 

Valido lembra que o negócio de mineração é de longo prazo e que, por isso, a decisão de fechar capacidade por conta de baixo preço é algo que precisa de cuidado. No entanto, destaca, muitas mineradoras de mais alto custo já operam "apertadas" diante do preço atual e que as menores, assim, deverão repensar se chegou a hora de suspender a produção.

 

Ainda não se sabe o impacto da medida anunciada pela China neste início de ano, com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) aprovando 7 trilhões de yuans em investimento para acelerar projetos de 2012 e de 2013, com o objetivo de sustentar o crescimento do país. Enquanto isso, a cautela permanece.

 

Resiliência - ­ A agência de classificação de risco Fitch disse, em relatório nesta semana, que a queda contínua nos preços do minério de ferro irá testar a resiliência das estruturas de capital e do perfil de crédito de mineradoras em 2015. Na América Latina em geral, a agência espera que a maioria das mineradoras siga lucrativa, a despeito

dos preços mais baixos.

 

Em 2014, o minério de ferro viveu um ciclo de baixa de preços, com o valor da tonelada do insumo encerrando o ano quase pela metade do visto um ano antes. Com isso, o preço encerrou 2014 em US$ 71,2 a tonelada, o que representou o valor mínimo em mais de cinco anos, considerando a matéria­prima com teor de concentração de ferro de 62%, negociado no porto de Tianjin, na china. O preço chegou a bater a mínima em cinco anos, em US$ 65, ainda em dezembro.

 

A queda do preço, provocada pelo arrefecimento da demanda global por minério, principalmente pelo menor ritmo de crescimento da economia chinesa, foi acelerada ainda pelo aumento de produção das "três grandes". Além da brasileira Vale, esse time é formado pelas australianas BHP Billinton e Rio Tinto. Todas aumentaram a produção ao longo de 2014 e novos volumes são esperados para entrar no mercado neste ano.

 

A produção da Vale em 2014 deve ter fechado com alta de 4% em relação ao observado em 2013, com 312 milhões de toneladas. Os números relativos ao ano serão conhecidos quando a Vale divulgar seu demonstrativo financeiro anual, previsto para fevereiro. A Vale estima, ainda, que em 2015 sua produção de minério de ferro alcance 340 milhões de toneladas, passando para 376 milhões de toneladas em 2016, 411 milhões de toneladas em 2017, indo para 453 milhões de toneladas em 2018.

 

No fim do ano passado, em encontro com analistas estrangeiros em Nova York, o diretor

executivo de Ferrosos da Vale, Peter Poppinga, que recentemente substituiu José Carlos Martins, disse que a mineradora está focada em redução de custos e que será competitiva em qualquer cenário. O diretor apontou que, neste momento de preços depreciados do minério, o objetivo de ampliar a competitividade se torna ainda mais importante.

 

Poppinga citou, na ocasião, que os preços do minério de ferro ficaram pressionados por conta do aumento da oferta no mercado transoceânico. Segundo ele, a Vale calculou que há cerca de 220 milhões de capacidade de minério de ferro no mundo, a qual não é competitiva com os preços em torno de US$ 70 a tonelada. O executivo disse ainda que o preço requerido hoje para uma demanda do mercado transoceânico de 1,5 bilhão de toneladas é de algo em torno de US$ 90 a tonelada. (AE)

 

Fonte: Diário do Comércio

 

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