Renováveis já podem competir com petróleo, diz estudo

January 19, 2015

Chama a atenção o número de chineses, europeus e japoneses no elegante hotel St. Regis, em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos. Eles celebram a boa notícia, por mais estranho que pareça para uma das mais famosas cidades do Golfo Pérsico, enriquecida à base de petróleo: as energias renováveis deixaram de ser uma opção marginal na matriz energética global.

 

 

 

Está tudo no novo estudo lançado na reunião com mais de mil participantes de 151 países mais a União Europeia: o custo de geração de eletricidade a partir de biomassa, hidroeletricidade, geotérmica e eólica produzida em terra já é competitivo, mesmo com a forte queda do preço do petróleo.

 

O desempenho do custo de produção da energia solar é o mais impressionante: caiu pela metade entre 2010 e 2014, aumentando sua competitividade em larga escala, diz o "Renewable Power Generation Costs in 2014", nome do novo estudo. 2014, o ano mais quente já registrado, também deve ser o ano em que, estima­se, será batido outro recorde, mais animador ­ o número de novos empreendimentos de energias renováveis no mundo. Nos últimos três anos, os investimentos na capacidade de geração chegaram a US$ 250 bilhões ao ano, volume é cinco vezes superior ao de uma década atrás.

 

"Em poucos anos de incrível crescimento, as energias renováveis passaram a ser uma contribuição importante no mix energético mundial e prometem ser o motor da economia do futuro", disse o queniano Adnan Z. Amin, diretorgeral da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). "Inovação e investimentos fizeram com que os custos caíssem dramaticamente, enquanto novos mecanismos de financiamento para energias limpas tiveram crescimento meteórico", afirmou, no discurso de abertura da 5ª Assembleia da Irena, sábado, em Abu Dhabi.

 

No entendimento dos especialistas da Irena, o maior fórum mundial de estudos e promoção de energias renováveis, a vertiginosa queda dos preços do petróleo não tem impacto significativo neste segmento do mercado. "A queda de preço afeta apenas cerca de 5% da geração de energia elétrica", estima Amin. "O uso de petróleo na produção de energia elétrica caiu substancialmente nas últimas décadas. Era algo próximo a 25% no início dos anos 70", estima.

 

Os 5% atuais estariam relacionados ao petróleo usado para produzir eletricidade em países como a Arábia Saudita, onde o preço é baixo, ou ilhas e regiões remotas, que utilizam diesel, diz Dolf Gielen, diretor do centro de inovação e tecnologia da Irena. Se houver algum impacto, será no transporte terrestre, marítimo e aéreo e na produção de plásticos. "A tendência é de ocorrer um impacto negativo na emissão de gases estufa e na mudança do clima", estima Gielen. "Mas a questão é que ninguém saber por quanto tempo o preço do petróleo se manterá assim. Se serão semanas, meses ou anos."

 

"A queda do preço do petróleo tem impactos positivos e negativos no desenvolvimento das energias renováveis e na mudança do clima", avalia Wael Hmaidan, diretor internacional da CAN, uma grande rede de ONGs. "Um impacto positivo é que torna economicamente inviável a exploração de petróleo em áreas difíceis, como o Ártico ou o mar profundo", diz. "Se quisermos ganhar a luta contra a mudança do clima, a primeira coisa que precisamos fazer é parar de procurar novas reservas de combustível fóssil."

 

A Irena, o primeiro organismo multilateral sediado no Oriente Médio, tem história singular. Foi ideia alemã, concebida há muitos anos, de criar uma agência que promovesse as energias renováveis no mundo. A Alemanha, país pioneiro em produzir eletricidade em larga escala a partir do Sol e do vento, lançou a ideia de uma agência internacional que estimulasse a produção de energia que não fosse nuclear nem fóssil, mas acabou ficando sem a criatura.

 

A Irena foi criada em 2009 como uma agência ligada às Nações Unidas. Começou a operar em Abu Dhabi, em 2011. A Irena promove a produção de energias limpas. "É interessante. Estão preocupados com o que vem depois do petróleo", diz Carlos Vizioli, ministro da embaixada do Brasil nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Irena tem 139 membros (138 nações mais a União Europeia) e 33 em processo. O Brasil é ainda um observador. "Estamos mais próximos de ingressar na Irena, mas temos de ouvir outros ministérios, principalmente o da Energia, responsável pela decisão em última instância", diz Vizioli.

 

"A hora de agir é agora", diz Amin, referindo­se às energias renováveis. "Custos de tecnologia em queda, vários exemplos bem­sucedidos no mundo, modelos de negócio melhores e investimentos crescentes criaram um forte momento de oportunidade."

 

 

Fonte: Valor

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