Diretores rejeitaram cronograma para deixar Petrobras no fim do mês

February 4, 2015

 

Diretores da Petrobras rejeitaram terça-feira (03/02) o cronograma de saída da estatal acertado entre Graça Foster e Dilma Rousseff para o fim do mês e exigiram deixar a empresa nesta quarta-feira (04/02). Segundo a Folha apurou, a presidente da estatal, no entanto, conseguiu que as demissões fossem na sexta-feira (06/02), na reunião do Conselho de Administração.

A Petrobras emitiu comunicado nesta quarta informando que tanto Graça Foster quanto outros cinco diretores renunciaram ao cargo.

Na reunião de terça, no Palácio do Planalto, Graça apresentou as cartas de renúncia dos diretores para Dilma. A presidente argumentou que precisava de mais tempo para achar substitutos e fecharam a saída após a publicação do prejuízo decorrente de corrupção na estatal.

Ao voltar ao Rio de Janeiro, a presidente da estatal conversou com os diretores da Petrobras, que resistiram e recusaram o acerto. Queriam deixar a empresa nesta quarta, segundo auxiliares presidenciais. A executiva telefonou para a presidente na noite de terça para informar da decisão colegiada.

Em comunicado ao mercado emitido na manhã desta quarta, a empresa afirma que "o Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova Diretoria face à renúncia da Presidente e de cinco Diretores".

 

REUNIÃO MARCADA

A reunião de sexta já estava marcada antes da renúncia. Até as 11h35, os conselheiros ainda não haviam recebido uma mensagem com a mudança da pauta. A Petrobras não informou aos conselheiros quem foram os cinco diretores que renunciaram ao cargo.

Segundo a Folha apurou, só um diretor não assinou a renúncia coletiva: José Eduardo Dutra, afastado por motivos de saúde.

Um conselheiro afirmou à Folha que cinco dos seis diretores da Petrobras ficaram ao lado de Graça na última reunião do Conselho, dia 27 de janeiro, em que a presidente manteve firme a intenção de divulgar no balanço do terceiro trimestre a conta da corrupção. A estatal informou na ocasião que a conta poderia chegar a R$ 88,6 bilhões, embora o valor não tenha sido incorporado às demonstrações financeiras não auditadas.

Graça bateu de frente com os ex-ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), representantes do governo federal, acionista controlador da companhia. Os ex-ministros pressionavam para que a estatal dissesse apenas que chegou a um número, mas que ainda não seria o momento de divulgá-lo porque ele não estaria fechado.

Graça teria argumentado que não queria ser responsabilizada administrativamente no futuro pela não divulgação do valor, caso ele se confirmasse. Em bloco, os cinco diretores apoiaram Graça na decisão, no episódio derradeiro para a fritura da presidente da empresa.

Um único diretor não teria ficado ao lado de Graça, pendendo para ao lado do controlador: Dutra, que comanda a área de Serviços da estatal e é ex-presidente do PT. Na avaliação do conselheiro, Ele deve ser o único nome a permanecer na estatal com a renúncia da diretoria.

Até a renúncia também ocupavam a diretoria José Miranda Formigli (Exploração e Produção), Almir Guilherme Barbassa (área Financeira), José Alcides Santoro Martins (Gás e Energia), José Carlos Cosenza (Abastecimento) e José Antônio de Figueiredo (Engenharia).

Há ainda a diretoria de Governança, Risco e Conformidade, criada neste ano e cujo diretor será João Adalberto Elek Júnior.

 

CVM

A intenção da Petrobras era só informar sobre a renúncia coletiva na sexta-feira, mas o pedido de explicações formal da CVM (Comissão de Valores Mobiliários, a xerife do mercado financeiro) sobre reportagem da Folha informando que o Planalto já havia decidido pela substituição de Graça obrigou a diretoria a se pronunciar e informar a troca.

A permanência de Graça no cargo ficou insustentável em meio às denúncias de corrupção na Petrobras, levantadas na Operação Lava Jato, e ineficiência na execução de projetos.

Até este momento, o Planalto não tem nomes para a substituição de Graça. O principal problema continua sendo encontrar executivos dispostos a assumir uma companhia em crise e sem um balanço auditado.

Na bolsa de apostas, despontam dois nomes para suceder a executiva: do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ex-presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim, que conta com a simpatia da presidente Dilma.

 

 

 

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