Parauapebas diz viver período de vacas magras

February 26, 2015

Parauapebas cresceu sem parar ao longo da história de Carajás. Mas a oferta de infraestrutura e de serviços públicos no município, emancipado de Marabá em 1988, tem ficado aquém do ritmo de crescimento da mineração. A implantação do Projeto Ferro Carajás, na primeira metade dos anos de 1980, provocou fortes fluxos migratórios para a região, em especial do Maranhão, mas também de outros Estados como Minas Gerais e Goiás. As pessoas chegaram em busca de oportunidades de trabalho e, como consequência, a cidade registrou uma "explosão demográfica".

 

 

 

Em pouco mais de duas décadas, a população cresceu cerca de dez vezes, segundo o prefeito Valmir Queiroz Mariano (PSD). Engenheiro de Ribeirão Preto (SP), Mariano migrou para o Sudeste do Pará nos anos 90. "Quando vim para cá, a população local era de 25 mil habitantes e hoje são 276 mil", diz Mariano. O número é extraoficial, com base em levantamento dos agentes de saúde do município. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados de 2010, a população é de 153.908 habitantes.

 

Hoje Parauapebas, cujo nome é uma referência ao um rio homônimo da região, enfrenta vários desafios socioeconômicos. Um deles é de mobilidade urbana: a frota local é de 60 mil carros e há mais 35 mil com placas de outros lugares. É alto o número de acidentes. Na educação fundamental há carência de 30 escolas, o que obriga o município a manter um turno intermediário (11h às 15h). O índice de coleta de esgoto é baixo ­ de 13%, segundo a prefeitura. E há problemas de favelização. O hospital criado pela Vale em 1983 está sendo regionalizado e ampliado.

 

A Vale, maior empregadora da região, afirma que repassou R$ 712 milhões em tributos para municípios do sudeste paraense em 2013. Só para Parauapebas, R$ 556,5 milhões, incluindo Imposto Sobre Serviços (ISS) e Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), aponta a empresa. "Um reflexo positivo da movimentação financeira em Parauapebas foi a expansão de 144% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, entre os anos de 2008 e 2011, contra um crescimento médio de 10% do país. O resultado coloca Parauapebas em primeiro lugar entre as cidades acima de 100 mil habitantes que mais cresceram nos últimos anos", informa a Vale.

 

Desde que se instalou na região, a empresa fez diversos investimentos em infraestrutura ­ estradas, urbanização, escolas, hospitais e até quartel da Polícia Militar, entre outras obras. Desde o começo dos anos 90, Parauapebas vem melhorando o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). E ainda espera tempos melhores: "Estamos vivendo um período de vacas magras", diz Mariano.

 

Afirma que dispensou 1,5 mil funcionários da administração municipal e deve demitir mais mil a partir de março. "Reduzimos investimentos e custos." Um dos município que mais arrecadam royalties com a atividade mineral, Parauapebas está sentindo os efeitos da queda nos preços do minério de ferro, hoje em um dos menores níveis dos últimos anos. Nas contas do prefeito, Parauapebas arrecadou R$ 247 milhões com a CFEM em 2014, incluindo pagamentos referentes a períodos anteriores. "Para 2015, estimo queda de 30% sobre o número absoluto de 2014", prevê o prefeito. Os royalties da mineração são uma das principais fontes de receita do município ao lado do ISS e dos repasses de ICMS.

 

"Entre 2014 e 2016, prevemos perder 50% da CFEM", diz. Nesse contexto, e considerando o fato de que as minas da Vale hoje em operação em Carajás estão entrando em um período de "maturidade", nas palavras do prefeito, Parauapebas busca alternativas à mineração, um recurso finito, pensando no futuro do município. Ele aposta em duas vertentes: a educação, atraindo universidades para o município, e agricultura e indústria. Parauapebas tenta também desenvolver um distrito industrial.

 

O secretário municipal de Desenvolvimento, Wander Nepomuceno, diz que com investimentos na ampliação de uma subestação de energia, que resolveu problemas no suprimento de eletricidade, Parauapebas espera atrair indústrias para o distrito industrial e prestação de serviços à mineração.

 

 

 

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