Há muitas minas à venda, mas faltam interessados

June 10, 2015

Mineradoras ao redor do mundo estão tentando vender suas minas, mas há um problema: quase ninguém quer comprar.

 

Executivos de bancos experientes no setor de mineração dizem que estão vendo a seca de negócios mais longa de suas carreiras. Essa inatividade está sendo causada por uma queda nos preços das commodities que dá pouco sinais de recuperação, por ativos de baixa qualidade e pelo fato de gigantes do setor, como BHP Billiton PLC e Rio Tinto PLC, estarem priorizando os retornos aos acionistas, em vez de aquisições.

 

O número de negócios caiu 23% no ano passado ante 2013, para 544, o menor total desde 2003 e o quarto ano consecutivo de queda, segundo a Ernst & Young. O volume de negócios nos últimos dez anos atingiu um pico de 1.123 em 2010, durante uma alta dos preços impulsionada pela China. No primeiro trimestre de 2015, o total mundial de fusões e aquisições na indústria de mineração recuou 18% ante o mesmo período do ano passado, para US$ 5,9 bilhões, informa a Ernst & Young.

 

A escassez de acordos, em meio a uma febre de fusões e aquisições no mercado em geral, ocorre num momento em que os preços de commodities como minério de ferro, alumínio e cobre estão perto de suas mínimas dos últimos seis anos. Outros metais, como níquel e zinco, estão sendo pressionados pela fraca demanda.

 

"É necessária uma percepção mais forte de que estamos no fim de um ciclo das commodities antes de vermos uma recuperação", diz Dick Evans, presidente do conselho da produtora de alumínio Constellium NV.

 

Ainda assim, negócios continuam ocorrendo no setor, embora a maioria num valor relativamente baixo. Na semana passada, a Barrick Gold Corp., maior mineradora de ouro do mundo por produção, fechou a venda de ativos na Austrália por US$ 550 milhões e a de uma fatia de 50% numa mina de Papua Nova Guiné, por US$ 298 milhões.

 

Mas executivos de bancos preveem que a Barrick terá dificuldade para vender a mina de níquel de Kabanga, na Tanzânia, que ela opera com a Glencore PLC. A Barrick não quis comentar.

 

Com os negócios em câmera lenta, as mineradoras vêm tendo dificuldade para captar recursos, enxugar operações e fortalecer seus combalidos balanços.

 

A Rio Tinto começou recentemente a se preparar para vender ativos de sua unidade Pacific Aluminum, cujo preço pode chegar a US$ 1 bilhão, segundo pessoas a par do assunto. Mas os preços em queda do alumínio bruto pode impedir o negócio, afirmam profissionais de bancos. Outro obstáculo é o alto custo da energia para operar os fornos da empresa, que transformam matéria­prima em metal, na Austrália e Nova Zelândia.

 

O setor de minério de ferro é um dos mais afetados, dificultando ainda mais a concretização de negócios. O brasileiro Lourenço Gonçalves, diretor­ presidente da Cliffs Natural Resources, diz que está tentando vender as operações de minério de ferro de empresa americana na Austrália desde que assumiu o cargo, em agosto de 2014, mas a queda dos preços e a idade da mina têm complicado a venda.

 

A Anglo American PLC está há mais de um ano tentando vender certas operações de platina na África do Sul. Analistas do Citigroup disseram recentemente que a Anglo American Platinum Ltd., controlada pela Anglo American, tem uma probabilidade de 50% de vender ou desmembrar parte de suas minas de platina da África do Sul, que já sofreram perdas de caixa de mais de US$ 1 bilhão nos últimos anos. 

 

Um porta-­voz da Anglo American diz que a firma deve decidir nos próximos meses se vai desmembrar ou vender os ativos.

 

Algumas especialistas do mercado dizem que o volume de negócios ainda pode crescer neste ano. Os preços das commodities estão baixos, mas não em colapso como no ano passado. As duras condições do mercado podem fazer com que os negócios demorem mais do que o normal, já que os vendedores gastam mais tempo tentando deixar suas minas mais atraentes.

 

O volume de cerca de US$ 12 bilhões captados por empresas de private equity nos últimos quatro meses para negócios no setor deve ser investido em breve, diz Alexander Keepin, sócio do escritório de advogados londrino Berwin Leighton Paisner, que presta consultoria para aquisições na área de recursos naturais. A escassez de acordos já dura tanto tempo que alguns fundos de private equity estão analisando minas que rejeitaram antes, diz Keepin. "Eles têm que pôr o capital para trabalhar", diz.

 

Uma potencial luz no fim do túnel foi o surgimento do X2 Resources, um fundo de private equity criado pelo veterano da mineração Mick Davis e que conta com US$ 5,6 bilhões em dinheiro para investir nos próximos meses, segundo pessoas a par dos planos do executivo.

 

Outro possível gatilho pode ser acionado com a alta dos juros nos EUA. Com os juros baixos de hoje, as mineradoras podem manter ativas minas com fraco desempenho ao financiá­las com dinheiro barato. Se as taxas subirem, esse financiamento vai ficar mais caro, o que aumenta a probabilidade de que as empresas aceitem um preço menor pelas minas, diz Jorge Beristain, analista do Deutsche Bank.

 

Os céticos dizem que os negócios continuarão lentos sem uma grande mudança, como uma oscilação expressiva nos preços das commodities ou uma megafusão de gigantes como a Glencore e a Rio Tinto. Isso poderia forçar a empresa combinada a vender minas para pagar dívidas e a enxugar operações, provocando uma corrida pelos ativos descartados. Para levantar dinheiro, algumas dessas mineradoras provavelmente ofereceriam esses ativos indesejados com um desconto, o que poderia reduzir os preços de outros ativos semelhantes.

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