Metais têm menor preço desde crise de 2008

July 10, 2015

As perdas da ordem de US$ 3 trilhões no valor das ações chinesas contagiaram as commodities, levando o preço do cobre para seu menor patamar desde a crise financeira e os do níquel, zinco e minério de ferro também para território negativo.

 

 

Com a negociação das ações de mais da metade das empresas suspensa na China, alguns operadores se voltaram cada vez mais para metais industriais e outras commodities para levantar dinheiro e cumprir com chamadas de margem decorrentes das perdas com ações. Outros ampliaram suas apostas na queda das commodities, diante da intensificação das preocupações com a desaceleração do crescimento do maior consumidor mundial de commodities.

 

Os participantes do mercado ampliaram as posições vendidas em cobre e o volume de negociação em Xangai dobrou ontem para mais de 1 milhão de contratos. Isso ajudou a derrubar o preço do cobre na Bolsa de Metais de Londres para o menor patamar desde 2009, de US$ 5.293 por tonelada.

 

Os contratos de cobre eram muito usados como garantia para obter financiamento. A queda das taxas de juros na China levou ao desmantelamento dessa operação, o que pressionou para baixo os preços do cobre. Com a desvalorização das ações em Xangai e Shenzhen, essa tendência de queda foi exacerbada.

 

"Investidores precisando cobrir perdas com ações (ou encerrar acordos de financiamento que usavam o metal como garantia) foram forçados a vender commodities", disse Julian Jessop, chefe de análise de commodities na Capital Economics. "Uma onda de calotes poderia somar­se a esses riscos." A forte queda do mercado acionário da China chega em um momento no qual muitas commodities já precisam lidar com excesso de oferta. De forma mais generalizada, as commodities também estão às voltas com a valorização do dólar, o crescimento mundial desaquecido e a perspectiva de a Grécia sair da região do euro.

 

O dólar subiu mais de 20% em relação a uma cesta de moedas nos últimos 12 meses, aumentando a pressão sobre as commodities. Por outro lado, o dólar forte permitiu às mineradoras reduzir os custos operacionais locais e manter a produção, apesar do declínio nos preços das commodities. O petróleo mais baixo também barateia o custo de operação das máquinas nas minas.

 

As commodities poderiam ter de cair ainda mais antes de a produção ser afetada e, em algum momento, a oferta cair. Executivos de mineradoras esperam que este seja o ponto mais baixo do ciclo. Os produtores vão ficar ainda mais disciplinados e os que têm maior custo de produção vão começar a cortar a produção.

 

Qualquer virada das commodities vai depender da demanda na China, cuja economia, temem analistas, pode estar se desacelerando neste momento ainda mais do que indicam as estatísticas oficiais. Muitos preços de commodities foram impulsionados pelos estímulos promovidos pelo governo do país depois da crise financeira mundial. Isso, no entanto, acarretou um grande acúmulo de dívidas, que vai continuar a pesar sobre a taxa de crescimento da China e inibir as autoridades no afrouxamento do crédito.

 

"Não vai ser uma transição suave de uma economia planificada para uma economia de demanda", diz Julian Kettle, vice-presidente de metais e mineração na Wood Mackenzie. "Essa passagem já ocorreu em termos de domínio da produção industrial versus setor de consumo."

 

A debacle dos preços atingiu as ações de mineradoras como a Rio Tinto e a Glencore, que mineram e transportam metais e outras matérias­primas. As ações da Glencore caíram para sua menor cotação histórica ontem.

 

Ainda assim, alguns observadores do mercado acreditam que a venda de metais básicos já foi longe demais e que os mercados de commodities reagiram de forma excessiva aos eventos na China.

 

Economistas dizem que a queda dos mercados de ações na China não deverá afetar muito a economia real. As ações representam menos de 15% dos ativos financeiros das famílias chinesas. "A riqueza no mercado acionário tem menos impacto no consumo do que muitos pensam", diz Qu Hongbin, economista­chefe para a grande China no HSBC.

 

Pequim também poderia intensificar os investimentos em obras de infraestrutura que exijam grande uso de commodities para sustentar o crescimento da economia. Tendo em vista o excesso de oferta, no entanto, os investidores vão querer provas de que a China passou a comprar mais antes de entrarem no mercado, segundo o analista Kevin Norrish, do Barclays. "Uma recuperação rápida no preço parece estar um pouco distante", disse.

 

Houve mais declínios nos preços dos metais industriais ontem. O contrato de alumínio para entrega em três meses Bolsa de Metais de Londres caiu US$ 23, para a menor cotação em seis anos, de US$ 1.651 por tonelada, enquanto o de cobre recuou US$ 21,50, para US$ 5.372, e o de zinco, US$ 18,50, para US$ 1.935.

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