Mineradora que cortar custo vai sobreviver, indica PwC

July 10, 2015

Disciplina de capital e busca pela maior eficiência possível são os fatores que vão determinar os sobreviventes do setor de mineração nesse momento de declínio das commodities. Ronaldo Valiño, líder de mineração, siderurgia e metalurgia para a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), disse em entrevista ao Valor que é impossível conseguir enxugar gastos na mesma velocidade em que os preços caem. Mas lembra que a principal meta na cabeça dos executivos do setor hoje é ser mais eficiente.

 

 

Para alcançar mais sinergias entre as atividades, reduzir riscos e também conseguir maior rentabilidade, o especialista aposta que fusões e aquisições pontuais podem ocorrer. "Acho que o mercado avalia uma série de mudanças, mas vão ocorrer de forma bem mais criteriosa, ao contrário do que se observou nos tempos de aquecimento, quando operações aconteciam quase mensalmente", opinou.

 

Valiño acredita que o cenário, agora, é de encolhimento. Isso deve, de acordo com ele, se traduzir em fechamento de minas mais custosas e até desaparecimento de competidoras menos eficientes. Mas, a maior certeza, acrescentou, é que não se verá nenhum novo concorrente durante o período.

 

Sobre a depressão nos preços, o sócio da PwC confirmou a visão de alguns agentes do mercado, que esperam uma retomada dos preços do minério de ferro e dos metais industriais mais demorada do que se viu no passado. "Por isso, as ações caem tanto, depois de, no momento do ciclo de alta, serem das que mais subiram", afirmou. "Se a recuperação vai ser mais demorada, já se dá um deságio aos papéis por isso. Mas, ainda por cima, na última década as mineradoras se concentraram em países emergentes, e em momentos de crise esses mercados são os mais instáveis."

 

Além dos custos operacionais, Valiño disse que as empresas buscam também segurar despesas financeiras. A ordem do dia, afirmou, é não se endividar nesse momento ruim. A boa notícia é que, historicamente, as mineradoras adotaram alta disciplina de capital, ou seja, não colocar em risco sua liquidez ­ a habilidade de cobrir dívidas de curto prazo ­, e agora vão colher o benefício desse histórico. Com a queda nos preços das commodities, as companhias ainda cortaram investimentos, passam a administrar melhor estoques para não necessitar de capital de giro, entre outras medidas.

 

"As 40 maiores do setor têm musculatura para sobreviver ao momento", comentou. "A maioria das empresas tem histórico, presença global e já passaram outros períodos de altos e baixos no ciclo das commodities", afirmou. "O mercado está e vai continuar sendo mais sofrível para as juniores, as menores produtoras."

 

Se o ambiente é muito ruim para o minério de ferro, para os metais básicos o sócio da PwC vê reação melhor. Mas ele admite que, por conta da volatilidade atual ­ ainda mais com os temores quanto ao mercado financeiro da China, além do crescimento mais tímido no país, ­ é difícil de se fazer uma previsão.

 

Mas Valiño recomenda que as empresas não se exponham demais aos metais, já que diversificar pode ser pior do que manter o foco. "Ter várias operações é bom porque mitiga o risco, mas não a ponto de perder o foco. Trabalhar com cerca de quatro commodities seria o ideal, com sinergia entre si e concentrando esforços", diz. "O mais prudente é ter um número menor de metais na operação".

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