Opalas em Marte e o cachorro mais azarado do mundo

July 13, 2015

Muito, muito tempo atrás, em uma sexta-feira (ei, tenho 15% de chance de estar certo) a rotina de Marte foi interrompida por um evento cataclísmico. Um meteoro de tamanho considerável viajando a uma velocidade mais considerável ainda atingiu a superfície, a energia foi tanta que parte do material foi ejetado acima da velocidade de escape. Sim, um meteoro porreta é capaz de mandar parte de um planeta pro espaço, literalmente.

 

 

Esses pedaços de Marte vagaram pelo Sistema Solar por sabe-se lá quanto tempo, até que um dia se encontraram em rota de colisão com a Terra, colisão essa que ocorreu em uma quarta-feira (com 100% de certeza), dia 28 de junho de 1911, por volta de 09:00, horário local. O local, pra ser preciso, Alexandria, Egito.

 

Uma coluna de fumaça seguida de diversos estrondos, muito familiar para quem acompanhou o Meteoro de Chelyabinsk. Após a desintegração vários fragmentos do meteoro caíram, em uma área de 4,5 km2. Alguns se enterraram a mais de 1 m de profundidade. Um deles atingiu em cheio um cachorro azarado, que foi, segundo testemunhas, instantaneamente desintegrado.

Foram recuperados fragmentos de 20 g até um de quase 2 kg.

 

O chamado Meteorito de Nahkla ficou famoso pelo show, pelo cachorro e mais recentemente quando descobriram sua origem, comparando sua composição com dados da superfície de Marte. Meteoritos marcianos são relativamente raros, dos 61 mil meteoritos já encontrados, só 132 são marcianos.

 

O Naquadah, digo, Nahkla já foi alvo de suspeitas de conter aminoácidos e moléculas orgânicas, também rolou uma polêmica de que ele teria estruturas associadas com microorganismos. No final nada foi provado.

 

Agora cientistas pesquisando o meteorito descobriram algo muito interessante: microfragmentos de opalas, uma pedra semi-preciosa com algumas características bem interessantes. As chamadas Opalas de Fogo, a variedade encontrada no meteorito se formam em chaminés hidrotermais no fundo dos oceanos, em condições relativamente benignas de temperatura e pressão. Benignas do ponto de vista da geologia, claro.

 

 

É comum opalas estarem contaminadas por material biológico, como bactérias, então do mesmo jeito que os mosquitos em âmbar de Jurassic Park, as opalas marcianas podem conter exemplares de vida marciana, se ela um dia existiu.

 

Procurar vida nessas cápsulas do tempo é importante, estamos falando de milhões, possivelmente bilhões de anos, e a vida é não só incrivelmente frágil como os próprios sinais de sua existência são efêmeros. Menos de 1% das espécies que já existiram deixaram fósseis. Esqueletos completos então são incrivelmente raros. O T-Rex mais completo já encontrado, Sue, só tem 80% dos ossos originais.

 

Mesmo Lucy, a australopiteca que os criacionistas amam odiar só tem 40% do esqueleto completo, e ela morreu (tadinha) 3,2 milhões de anos atrás.

A parte mais divertida dos teóricos da conspiração é justamente achar que um esqueleto sobreviveria milhões de anos exposto aos elementos.

Se há ou houve vida em Marte ela estará escondida, debaixo da superfície. Talvez haja uma civilização inteira de bactérias meio metro dentro do solo, ou talvez estejam todas mortas. A única certeza é que é muito mais fácil achar indícios de vida dentro de opalas marcianas do que dando mole na superfície, a não ser que a forma de vida dominante em Marte seja o Nokia 3310.

 

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