Mineradoras chinesas querem comprar minas de ouro no exterior

As mineradoras de ouro na China querem comprar minas em outros países. O baixo preço do metal que pode ajudá-las a pagar menos pelos ativos. A Zijin Mining Group, que já realizou aquisições, criou um fundo para comprar novos ativos. No Brasil, a Serabi, que produz ouro em Palito, no Pará, disse que avalia oportunidades de aquisição, incluindo uma mina subterrânea que está em produção.

 

 

O fundo da Zijin foi criado em conjunto com a Sprott Asset Management, gestora de ativos como fundos fiduciários detentores de barras de ouro físicas. “A China tem cinco ou seis mineradoras de ouro. Já falei com todas elas e todas têm planos de aumentar os ativos no exterior”, afirmou Peter Grosskopf, diretor-presidente da canadense Sprott Asset Management.

Embora os preços do ouro já tenham chegado a subir mais de 16% desde dezembro, quando atingiram o menor nível em seis anos, o metal ainda está sendo negociado numa faixa entre US$ 1.220 e US$ 1.240 a onça troy, a mais baixa desde 2010.

“Há mais [oportunidades de] expansão globalmente do que na China”, disse Grosskopf. Esse interesse renovado em minas de ouro se manifesta em meio a uma onda de fusões e aquisições feitas por empresas chinesas em outros países.

Se as mineradoras chinesas embarcarem numa onda de compra de ativos, a China poderia reduzir sua dependência de outros produtores estrangeiros e aumentar seu poder nos mercados de ouro globais. Um período de preços baixos do ouro também significa que as empresas podem ter mais oportunidades de comprar, já que várias mineradoras estão de desfazendo de ativos por não conseguirem mantê-los.

Até agora em 2016, empresas da China anunciaram US$ 92 bilhões em aquisições no exterior, segundo a Dealogic. Uma das ofertas de maior destaque, que não foi bem-sucedida, envolveu a seguradora Anbang Insurance Group., que recentemente retirou uma proposta de US$ 14 bilhões para comprar a rede americana de hotéis Starwood Hotels & Resorts Worldwide.

A caça a ativos no exterior também ocorre em meio à primeira queda anual na produção de ouro, que recuou 0,4% no ano passado no país em relação a 2014, segundo um relatório da Argonaut Securities, uma corretora de Hong Kong. Já o consumo de ouro na China cresceu 3,7% durante o mesmo período, afirmou o relatório.

“Sempre mantivemos um manancial de oportunidades em vista e esperamos poder conseguir alguma coisa nesses dois anos”, disse o George Q. Fang, diretor executivo da Zijin Mining.

A empresa, que começou como uma mineradora inexpressiva, transformou-se na terceira maior exploradora de ouro do mundo em valor de mercado. Em 2005, ela comprou uma fatia minoritária na Pinnacle Mines, do Canadá, por US$ 2 milhões. A Zijin vem expandindo gradualmente, mas poucas de suas aquisições ultrapassaram a casa dos US$ 100 milhões.

No ano passado, entretanto, a canadense Barrick Gold anunciou que estava vendendo uma participação de 50% na unidade que administra sua mina de ouro de Porgera, em Papua Nova Guiné, para a Zijin por US$ 298 milhões. “A Zijin está em processo de globalização. Estamos numa curva de aprendizado”, declarou Fang.

A maioria das mineradoras chinesas pretende comprar minas e empresas já existentes, em vez de construir novas minas, diz Grosskopf, da Sprott, cujo fundo formado em parceria com a Zijin foi o primeiro da China a se qualificar para buscar negócios no exterior.

A Zhaojin Mining Industry, outra das principais mineradoras de ouro da China, afirmou que também está procurando oportunidades de aquisição fora do país. “Agora é uma boa hora porque o preço do ouro está em níveis baixos”, diz Chen He, diretor de investimentos da mineradora. “A Zhaojin está buscando oportunidades globais.”

A empresa está prestes a concluir as formalidades para realizar uma aquisição na América do Sul, diz ele. A Zhaojin planeja aquisições por meio de compra de ações ou de projetos. Embora a mineradora esteja explorando a opção de adquirir uma participação em minas de ouro situadas em países desenvolvidos, como Austrália e Canadá, ela também está de olho em projetos nos mercados em desenvolvimento, como a América do Sul, segundo Chen He.

Recentemente, a segunda maior produtora de ouro do mundo, a americana Newmont Mining, vendeu uma fatia de 19,45% na mineradora australiana Regis Resources para um grupo de investidores institucionais da Austrália, América do Norte e Europa. Já a Barrick Gold vendeu, respectivamente, 50% e 100% de suas minas Round Mountain e Bald Mountain, ambas no Estado americano de Nevada, para a Kinross Gold.

Serabi Gold


A Serabi Gold, que produz ouro na mina Palito, no Pará, disse ontem que, devido à boa experiência da mineradora em gerar fluxo de caixa com o desenvolvimento de projetos, está em busca de novas oportunidades de crescimento. A empresa afirmou que a equipe de gestão está avaliando possíveis oportunidades de aquisição para tirar vantagem das condições atuais mais fracas do mercado.

“A companhia continua a considerar e conduzir sua própria auditoria técnica interna preliminar e avaliação de possíveis oportunidades, incluindo uma mina subterrânea de ouro em produção”, informou a Serabi em comunicado enviado ontem (14) ao mercado.

A mineradora disse que não há garantias de que vá adquirir algum ativo e que vai buscar apenas operações que possam gerar forte valor para os acionistas no longo prazo e desde que o custo total por onça da empresa, de US$ 892, diminua. A Serabi não deu detalhes de localização ou valores de uma possível negociação. Com informações do The Wall Street Journal.

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