Composição geológica de terreno ajuda a determinar quem vence batalha

May 23, 2016

Alguns exércitos ganham, outros perdem batalhas, e os motivos disso variaram muito ao longo da história. 

 

Um exército pode ser bem mais numeroso que o outro e por isso vencer. Um deles pode ser mais aguerrido e melhor treinado, e portanto ser capaz de vencer um inimigo de pior qualidade combativa mesmo em inferioridade numérica. Ou pode ser uma inovação tecnológica que faça a diferença, ou um general mais capaz, mais eficiente em dispor suas tropas no terreno, o "campo de batalha".

 

O tipo de terreno – floresta, montanha, deserto etc.– é igualmente um fator crucial no resultado de uma batalha.

 

Agora, uma pesquisa de um geólogo americano demonstrou que não só o relevo do terreno, mas também sua composição geológica, podem ajudar a determinar quem vence e quem perde, ao estudar campos de batalha da mais letal guerra da história do seu país, a Guerra Civil entre União e Confederados.

 

Os Estados do sul do país, escravocratas, decretaram sua secessão do resto do país, criando os Estados Confederados da América. Os Estados do norte, não escravocratas, reagiram para manter a união do país sob o nome Estados Unidos da América.

 

O conflito durou de 1861 a 1865 e matou mais americanos – 750 mil – do que a Segunda Guerra Mundial (405 mil mortos, em 2º lugar), Primeira Guerra Mundial, Guerra do Vietnã e Guerra da Coreia somados, incluindo outras guerras menores.

 

Morreram nestes cerca de cinco anos do século 19 algo como 2,4% da população americana de então. As recentes guerras no Iraque e Afeganistão que duraram o dobro do tempo mataram apenas 0,002% dos homens e mulheres americanos.

 

O melhor exemplo do morticínio também é a mais importante batalha da guerra, e que justamente por esse motivo acabou sendo a melhor estudada tanto pela história como pela geologia, Gettysburg.

 

Entre 1º e 3 de julho de 1863 as tropas confederadas do general Robert E. Lee tentaram forçar uma invasão do norte do país ao atacar as forças do general da União George Meade perto desta pequena cidade da Pensilvânia.

 

Os sulistas foram derrotados, as tropas da União mantiveram suas posições, e os confederados tiveram que recuar. Foi o momento mais perigoso da guerra para o Norte, mas foi também o ponto mais alto atingido pela maré confederada.

 

Em Gettysburg, "a mistura de rochas sedimentares mais ígneas e mais suaves produziram características famosas na topografia, como Cemetery Hill e Little Round Top, que forneceram fortes posições defensivas para o exército da União", escreveu o autor do mais novo estudo sobre o tema, Scott P. Hippensteel, da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte.

 

O estudo foi publicado na última edição da revista científica "Geosphere", editada pela Sociedade Geológica da América.

 

Mas Hippensteel preferiu se concentrar em outros campos de batalha, e em outros tipos de formações geológicas. Segundo o autor, rochas carbonáticas comuns como o calcário puderam prover posições defensivas formidáveis em vários outros campos de batalha em ambos os teatros de operações da guerra, no leste e oeste.

 

Foi o caso dos campos de batalha de Antietam, Stones River, Chickamauga, Franklin, Nashville, e Monocacy, cujos terrenos foram moldados por rochas calcárias e dolomitos.

 

O ambiente de combate em mutação técnica – ou seja, o aumento do alcance dos fuzis raiados em comparação com armas de alma lisa – ampliava a superioridade defensiva fornecida pelas rochas.

 

Mas tanto a defesa como o ataque podiam tirar vantagens das diferenças geológicas. Terrenos "ondulados" ou mais planos têm pequenas variações de altitude que permitem uma maior visibilidade do inimigo se aproximando; já terrenos "rolantes" têm depressões e colinas maiores onde a tropa atacante fica invulnerável em parte do avanço.

 

Em alguns terrenos muito específicos, formações geológicas foram fundamentais para a defesa, como os afloramentos rochosos conhecidos como "karrens" no campo de batalha de Stones River, que providenciaram trincheiras naturais perfeitas para as tropas da União.

 

Segundo o autor, foi o melhor exemplo da guerra de uma posição defensiva aperfeiçoada pela geologia.

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